Jornalistas do Fumaça e sinalAberto recebem bolsas de jornalismo

Dois jornalistas de dois projectos de jornalismo alternativo distintos estão entre os cinco vencedores das Bolsas de Jornalismo 2020 para financiamento de reportagens na área da saúde.


Foram anunciados esta terça-feira, os cinco jornalistas vencedores das Bolsas de Jornalismo 2020, uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas, com apoio da farmacêutica Roche, que vai na 2ª edição, para financiamento de reportagens na área da Saúde. Entre os premiados, estão Margarida David Cardoso, jornalista do Fumaça, e Vitalino José Santos, jornalista do sinalAberto.

Margarida David Cardoso recebe a Bolsa para desenvolver Eu já não quero um amanhã”. Em comunicado, o Fumaça explica que este trabalho será uma série audiodocumental, como aquelas que tem vindo a apresentar, sobre saúde mental. “Esta série procura retratar, na primeira pessoa, como é viver com uma doença mental e analisar a evolução das políticas públicas nesta área, com especial enfoque na prevenção do suicídio.” O trabalho já está em curso e já foi inclusive financiado com uma outra bolsa, de 2 mil euros, atribuída pela ARIS da Planície – Associação para a Promoção da Saúde Mental.

A cerimónia de entrega decorreu por videoconferência (imagem via Sindicato dos Jornalistas/Facebook)

As bolsas do Sindicato dos Jornalistas têm um valor de 2 mil euros cada, totalizando um apoio de 10 mil euros. Assim, a série sobre saúde mental do Fumaça já conta com um orçamento acumulado de 4 mil euros. Já o jornalista Vitalino José Santos vai desenvolver uma reportagem especializada, a publicar no sinalAberto, sobre “A medicina personalizada em hemato-oncologia”, mais especificamente em torno do impacto das novas terapêuticas no mieloma múltiplo, um cancro que se origina na medula óssea.

A cerimónia de entrega decorreu por videoconferência (imagem via Sindicato dos Jornalistas/Facebook)

Os restantes premiados foram três jornalistas freelancer: Alexandre Costa, com um trabalho sobre o impacto da Internet e das múltiplas plataformas online a nível cognitivo e neurológico; Paulo Barriga, com uma peça sobre suicídio no Alentejo em tempos de Covid-19; e Helena Gatinho, com uma pergunta: o cérebro pode ficar diferente com o isolamento social? Estas bolsas entregues pelo Sindicato dos Jornalistas visam fomentar a criação de trabalhos jornalísticos de qualidade na área da saúde.

Foram analisadas mais de 30 candidaturas. O júri foi composto por Isabel Nery, do Sindicato dos Jornalistas, Ricardo Encarnação, director médico da Roche, Graça de Freitas, Directora-Geral da Saúde, Constantino Sakellarides, médico e professor catedrático, e por Sara Sá, jornalista. O anúncio dos projetos vencedores foi feito numa cerimónia online, que constituiu também um momento para reflectir sobre as condições do jornalismo atual em Portugal, bem como o seu papel na pandemia que atravessamos.

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, destacou o papel do jornalismo no acompanhamento da crise pandémica, mas manifestou preocupação quanto à “saúde financeira e laboral do jornalismo”, também afetado pela pandemia. A Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas, um dos elementos do júri, considerou um privilégio fazer parte desta iniciativa, que “se mantem viva, mesmo em tempos de pandemia” e explicou que “no meio deste imediatismo e necessidade de todos darmos respostas em tempo real, ao analisar as propostas, quisemos um momento de pausa, olhando para as candidaturas como se estivéssemos num tempo normal em que a investigação e a qualidade ainda têm lugar”.